Acesso Reservado: À HÓME!, de Joel G. Gomes

Título: À Hóme!
Autor:
 Joel G. Gomes

Nota do autor: À HÓME! é uma revisão de um conto antigo intitulado SERES ÓMANOS. A história manteve-se mais ou menos, embora nesta versão tenha optado por incluir elementos que constituem referências a outras histórias minhas – algumas já escritas, outras ainda por escrever. A ideia veio da vontade da escrever uma história que combinasse elementos de ficção científica com humor. Numa passagem por Alfama, dei por mim a observar o ambiente à minha volta e a pensar como seria o dia a dia dos habitantes daquela zona dali por alguns séculos? Ainda existiria Alfama? Como seria aquela zona tratada nos livros de História do futuro? Entretanto, pedi uma cerveja e comecei a escrever.

Excerto:

«2172L corria tão depressa quanto os seus membros artificiais lhe permitiam, mas não o suficiente para criar uma distância que lhe garantisse tranquilidade. Não precisava de olhar para trás para saber que os seus perseguidores estavam cada vez mais perto. O que poderiam querer dele era algo que não sabia, nem lhe interessava saber. Supunha que não fosse coisa boa – coisa boa não combinava com tamanha determinação e ímpeto – mas podia estar enganado. Interpretar comportamentos, por muito óbvios que estes fossem, não estava no topo das suas capacidades programáticas.

Se tivesse amigos, sem dúvida que estes considerá-lo-iam um tipo estranho. Calado. Macambúzio. Diriam coisas do género: “Anima-te, pá! ‘Tás sempre de trombas”, e ele levaria as mãos ao rosto, incapaz de perceber o sentido denotativo das suas palavras.

Por mais de duas horas que calcorreava as ruas da antiga cidade de Lisboa. De acordo com o seu sistema geográfico, estava na zona conhecida até finais do século XXI por Alfama.

Num dia como aquele, pouco mais um século antes, as ruas estariam cheias de tugas e estrangeirada emborcando vinho e cerveja e enfardando sardinha assada no pão. Agora as ruas estavam vazias. Quaisquer portugueses que ainda pudessem existir estavam bem escondidos. Não se atreviam a aparecer em público, mas podiam ficar descansados que ninguém os iria procurar.

Para todos os efeitos, ele era o mais próximo que se podia encontrar de um português naquelas bandas. Talvez fosse essa a explicação da perseguição que lhe era movida. Se fosse, era uma explicação bem estúpida.

Ali na zona até podia ser o único da sua marca, mas qualquer um podia encomendar outro igualzinho a ele por apenas 116.999€ (moeda antiga), mais portes de envio. Logicamente que era mais fácil fanar um do que puxar os cordões à bolsa, mas mesmo assim. Ao custo que o tuga estava, não valia a pena arriscar a ir de cana. Além do mais, nas lojas de 10€ conseguia-se arranjar uma imitação que era mesmo quase quase igualzinha.

Ainda pensou se poderia ser alguma coisa na sua programação, mas calculou logo que não. Aquilo era tudo farinha do mesmo saco; não havia cá originalidades para ninguém.

Mesmo assim, não se podia queixar muito. Afinal de contas, era o modelo de androide português mais avançado do mercado: o Tuga 2.3. De acordo com o fabricante, fazia tudo o que um português típico fazia menos comer e dormir. (Era possível instalar plugins se quisessem vê-lo arrotar de A a Z, mijar em esquinas, ou escarrar verdonças para o chão. Havia ainda extensões para pôr nas unhas: no caso das versões masculinas apenas para o dedo mindinho – adequada para remoção de impurezas de todo e qualquer orifício –, no caso das versões femininas a variedade era infimitamente maior.) No fundo, era uma máquina de trabalho.»

A versão completa deste conto será disponibilizada brevemente.

One thought on “Acesso Reservado: À HÓME!, de Joel G. Gomes

Insultos, elogios ou sugestões, clique aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s