Acesso Reservado: LOUCA OU AMÁLIA, de Júlia Pinheiro

Título: Louca ou Amália
Autora:
Júlia Pinheiro

Nota da autora: Esta ideia foi-se acrescentando. Numa tentativa de dar um caminho decente a um desafio fui construindo uma história ao mesmo tempo que a escrevia e dei por mim a ter muito mais já pensado do que aquilo que realmente dava conta.

Comecei com a ideia de ter uma Casa que aparece misteriosamente ao canto do olho sem darmos conta, aquela sensação de termos visto alguma coisa e que quando olhamos segunda vez já não está lá! Esse foi o ponto de partida, a partir daí precisava de muito mais!
Comecei por pensar na Amália. Foi uma personalidade que me surgiu de forma simples e fácil, quase como se já estivesse pensada. A ideia de ter uma criança criada por uma louca nunca me tinha surgido mas assim que a pensei soube que tinha de a explorar. Brincar um bocadinho com a loucura e os vários meandros que pode ter. Foi interessante tentar passar a ideia de loucura que queria, não uma qualquer.
Tendo as bases da personagem podia explorar o mundo dela e a relação que podia ter com esta casa, brincando com uma mente pré-programada para a loucura com o entrar realmente nesse mundo.

Excerto:

«Amália nasceu e cresceu rodeada do que não compreendia. Aprendeu a crescer por si, recolhendo tudo o que o mundo lhe punha à frente. Foi-se construindo aos poucos, sem a ajuda da mãe a quem apelidavam de Louca, e sem a ajuda de um pai, fosse ele de que tipo fosse.

Desde cedo que ouvia as profecias ou loucuras da mãe. Não implicavam o fim do mundo nem conspirações de domínios répteis, não, nada dessas loucuras. Ela falava de coisas mais íntimas, detalhes mais profundos a cada um do que uma calamidade global. Falava de como funcionava a nossa mente, de como funcionavam os nossos sentimentos, do que acontecia quando nos irritávamos e de onde vinham os pensamentos que julgávamos nossos.
Na pequena cabeça de Amália tudo aquilo fazia sentido. Ela sabia quem era, quais as suas características mais pessoais e intrínsecas, e mesmo assim, em dadas alturas, notava-se claramente que algumas reacções não jogavam com o resto. Quantas vezes pensara nalgo que “não parecia dela”? Quantas vezes, num ataque de fúria, não tinha já sonhado em matar alguém, em torturá-los lentamente de maneira a aprenderem uma lição antes de ficarem completamente incapacitados de voltarem a chatear quem quer que fosse. E isto tão pequena.»

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