Acesso Reservado: A ÚLTIMA HISTÓRIA, de Sandra Martins Pinto

Título: A Última História
Autora: Sandra Martins Pinto

Nota da autora: Este foi o primeiro conto que escrevi para a Oficina de Escrita Criativa Fantástica Trëma (que para o nosso grupo degeneraria – no melhor dos sentidos – no projecto Polícia Bom, Polícia Mau), como resposta a um mote do Luís Filipe Silva. A ideia era explorar a situação de um escritor face a um anunciado fim do mundo: ainda valeria a pena escrever? Valeria ainda mais a pena? Sobre que se escreve quando se sabe que o nosso mundo está a prazo?
Pareceu-me uma boa oportunidade para explorar do ponto de vista ficcional um argumento filosófico que sempre me interessara e que tão querido é à ficção científica – a chamada hipótese da simulação.
Acabei por assentar num registo leve, por vezes quase cómico, para contrabalançar a seriedade do assunto.

Excerto:

«O ecrã dividiu-se numa dezena e tal de rectângulos, onde outros tantos caras-de-fuinha idênticos ao que falava apertavam a mão a humanos importantes e bastante perplexos. Entretanto o Escritor já conseguira colocar os óculos, e pareceu-lhe distinguir pelo menos o Presidente Obama, o Papa, a chanceler Merkel e o Dalai Lama. Nos rectângulos inferiores, uma cópia exacta do tipinho sentava-se nos estúdios da Al Jazeera, e outra ainda tomava chá no Palácio de Buckingham, com uma muito aterrorizada rainha de Inglaterra.
− Acreditamos que os dez meses e dez dias que ainda nos restam juntos serão suficientes para esclarecer todas as vossas dúvidas. Neste período manteremos a conduta de estrita não-ingerência que tinha sido decidida pelos investigadores no início do projecto.
Pigarreou uns segundos e acelerou o ritmo, como alguém que se quer desembaraçar o mais rapidamente possível de uma minudência qualquer que acabou de lhe ocorrer.
− Um último tópico. O Acórdão do Tribunal decidiu ainda que uma verba mínima será alocada para manter em execução o código-fonte dos humanos. Os nossos cientistas estimam que a verba fixada permita simular cabalmente a existência completa de um único ser humano, num ambiente com muitas restrições e com graus de liberdade mínimos. De uma forma mais simples, o que faremos é manter um humano a vivenciar uma mesma história, do nascimento até à morte, ciclo após ciclo, pelo menos enquanto durar a nossa própria espécie. Será aberto um concurso para determinar quem escreverá a história que esse último exemplar humano reviverá pela eternidade fora. Todos poderão participar. Muito boa noite, e aproveitem bem o tempo que vos resta.»

Podem ler o conto todo aqui.

Insultos, elogios ou sugestões, clique aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s