Acesso Reservado: A ÚLTIMA CHAMADA, de Joel Gomes

Título: A Última Chamada
Autor:
Joel G. Gomes

Nota do Autor: Este foi o primeiro conto que apresentei nos primórdios da Oficina de Escrita da Trëma. Sendo a Oficina dirigida (sobretudo, mas não apenas) para a escrita de ficção científica e tendo eu pouca experiência no género, resolvi tentar escrever uma história que misturasse esse género com humor. Parte do resultado dessa iniciativa pode ser lido no excerto que se segue.

Excerto:

Aos cinquenta e dois anos Rafael nunca tinha tido um smartphone. Não era um tipo que fizesse questão de adquirir todo e qualquer gadget assim que este era posto à venda – o seu velho telemóvel 3G chegava-lhe perfeitamente – mas era provavelmente a única pessoa no mundo que não possuía um. Bom, talvez única fosse um pouco exagerado, mas daí se vê a que ponto Rafael gostaria de ter um smartphone. Rafael não era um sujeito que hiperbolizasse opiniões ou situações; o facto de ele o fazer era facto inequívoco de que a coisa era mesmo grave.

O smartphone que ele queria, aquele que todos possuíam a não ser ele, era o mais recente modelo de uma marca Nigeriana cujo nome ninguém sabia pronunciar correctamente. Vinte anos antes, quando os primeiros smartphones low-cost começaram a ser fabricados e produzidos para os então países-pobres de África, entre eles a Nigéria e o Quénia, ninguém anteciparia que eles apanhariam o jeito à coisa e começariam a criar e a produzir aparelhos que seriam o agrado e a cobiça de todo o mundo civilizado.

Rafael assistira às apresentações de todos os modelos anteriores e conseguira sempre encontrar forças para resistir aos impulsos consumistas. Quando o modelo HGP33 saiu, oferecendo pela primeira vez opções como chamada holográfica ou projecção 3D, Rafael quase que cedeu. Foi preciso chegar à versão 33.11 para perder de vez a cabeça e desembolsar uma batelada de dinheiro por um aparelho cheio de mariquices que não lhe faziam falta nenhuma. Quer dizer, não era bem assim. A possibilidade de poder efectuar uma chamada para alguém e estar frente a frente perante essa pessoa sem de facto estar era algo que há muito lhe fazia falta.

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