PBPM: Operação “À deriva”

Data: 27 de Fevereiro de 2016

Local: Lisboa

Sabia de antemão que esta iria ser uma das missões mais arriscadas do grupo: os objectivos a atingir eram difíceis, estávamos com menos um elemento e as informações quanto à localização precisa do objecto eram muito vagas – mas nem pensar em desistir. Atrasado para o ponto do encontro no Chiado, eis que sou informado pelo recém-apontado secretário Vlad de que vontades superiores à nossa tinham forçado a deslocação do grupo para localização incerta. Uma vez que estava perto de um local onde o grupo já havia concretizado com sucesso uma das suas operações, propus que nos encontrássemos lá. Infelizmente, este estava também quase todo ele ocupado.

Contactado por Vlad quanto à nova localização do grupo, calcorreei Lisboa de lés a lés, que é como quem diz das Portas de Santo Antão até à Estação do Rossio. Pretendíamos assentir arriais num certo estabelecimento que fica localizado nesse edifício (que será nomeado se e quando alguma vez tiver direito a visita) que só por acaso também estava cheio.

O dia estava bonito – sem vento, nem chuva, nem frio – por isso não nos sentíamos nem um bocadinho irritados com todos aqueles contratempos e aproveitámos para conferenciar a propósito da melhor estratégia a seguir. Foi então que uma observação fortuita minha acabou por se revelar uma descoberta providencial. (Na verdade, foi mais uma resignação, mas já lá vamos). Seguimos então para o City Lounge, um estabelecimento daqueles que tem menu à porta mas não tem preço mas depois quer cobrar. (Confesso que é daquelas coisas que não percebo e só não dá chatices mais vezes porque costumo andar com dinheiro. Se calhar, não devia.)

Tínhamos a casa só para nós – o que não era de admirar, já que os outros sítios por onde tínhamos passado estavam a abarrotar – e pudemos darmos-nos ao luxo de nos sentar num sofá. O problema era que o sofá tinha aspecto de já ter feito parte do mobiliário de um bar de strip. Antes que algum de nós encontrasse indícios que confirmassem essa possibilidade (ou pior), fomos para uma mesa, onde finalmente começámos a reunião de Fevereiro. Ou por outra, queríamos começar, mas ainda tivemos de esperar que o secretário Vlad e a sua companheira Young Eye Girl terminassem de ler os textos da sessão. (Asseguro-vos que este comportamento foi severamente criticado pelos restantes elementos do grupo, por mim em particular, uma vez que um dos textos era meu e tinha só cerca de 50 páginas.)

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Enquanto os dois  incumpridores tentavam compensar a sua falha, os três bonitos que escreveram e leram trocaram impressões quanto ao presente e futuro do grupo, nomeadamente o lançamento de uma nova plataforma, a recepção a convidados especiais e a já referida participação no EuroCon em Barcelona.

Uma hora depois, já com suas excelências despachadas, pudemos finalmente começar a sessão. Retomámos a questão da nova plataforma, definimos um plano de trabalho rigoroso e passámos então à análise dos textos. Da sessão anterior tinha ficado por discutir um conto da Elsa, intitulado “Defeito de Fabrico”, sobre fantasmas e pessoas com características invulgares e outros fenómenos bizarros, que foi então carinhosamente vivissecado (e sim, é um verbo que não existe mas passa a existir) por quase todos os elementos, excepção feita a quem não estava presente por razões de ordem maior e a este que vos escreve por já ter apresentado as suas conclusões atempadamente.

Após este primeiro texto da Elsa seguiu-se um segundo texto da Elsa que tinha ficado pendente da sessão anterior, que por sua vez tinha ficado pendente da sessão ante-anterior. Antes que os ânimos se exaltassem – e bem, porque é preciso ter lata para apresentar mais do que um texto na mesma sessão – foi a própria Elsa que propôs passarmos a um texto de outro autor. A sua proposta não foi de imediato compreendida devido à sua dificuldade em especificar a qual dos textos se referia. Percebemos então que essa dificuldade de nomeação era uma consequência do texto em questão, que era da autoria da Sandra, ainda não ter título. (Deixo aqui uma sugestão, nem que seja para um working title: “O Semi-incréu da credência”.) O texto ainda só tem uma página – teria cinco se a autora tivesse enviado o anexo correcto – mas é uma página que pode ser sublinhada de uma ponta à outra para destacar as pérolas de prosa que a Sandra costuma produzir. Queremos mais.

Passámos então ao meu conto, terceira prequela do meu projecto “O Mal Humano”, intitulada “Contenção”. Naturalmente que não farei juízos de valor quanto à qualidade magistral deste opus, direi apenas que o período de apreciação desta obra rondou os 90 minutos. Terá sido por haver muito a dizer?, terá sido por ter quase meia centena de páginas?, terá sido pelas interrupções frequentes? É provável que sim.

Concluída a apreciação dos contos, demos por concluída a reunião. Apesar dos contratempos iniciais, ficámos satisfeitos com os resultados obtidos. Quanto a um eventual regresso do grupo àquele local, esse é um cenário que terá de ser submetido a análise. Por questões de agenda de alguns membros do grupo só nos voltaremos a reunir no princípio de Abril, de preferência com os seis à mesa, porque isto sem todos não tem a mesma piada.

 

Resumo

Local da operação: City Lounge

Contos em análise:
Defeito de Fabrico, de Elsa Leal
Ainda sem título (aka “O Semi-incréu da credência”), de Sandra Martins Pinto
O Mal Humano 0.3: Contenção, de Joel G. Gomes

Consumíveis:
– Pizza de quatro queijos: estava boa, não comi tudo, trouxe para casa, comi à noite antes de ir para a cama.
– Chocolate quente (ou caucau, não percebi bem): quem bebeu não regurgitou, por isso devia estar bom.
– Tosta de qualquer coisa (devia ser atum ou assim): tinha bom aspecto e vinha com batata frita a acompanhar.
– Torrada: pobrezinha em aspecto e em quantidade, não creio que tenha estimulado muito as papilas gustativas de quem a comeu.

Recortes:
«Arrotou para dentro para não acordar ninguém.»
«Um gajo pode ser bardajão e obsceno, mas as mulheres vão ao pormenor.»
«Vocês vão no Alfa, com lugarezinhos todos pipis, mas depois vão fazer xixi atrás da cortina.»
«Eu posso dizer que vou tirar formação de 
kamehameha e abrir uma escola [disso].»

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