O Chui leu: AS CRÓNICAS MARCIANAS, de Ray Bradbury

IMGCrónicas Marcianas_0003Título: Crónicas Marcianas
Título original: The Martian Chronicles
Autor: Ray Bradbury
Tradutora: Fernanda Pinto Rodrigues
Publicado por: Editorial Caminho
Páginas: 190

Sinopse: E se fosse possível assistir à decadência do planeta Terra a partir de outro planeta? Ver a Humanidade a fugir, ou a tentar fugir, de si própria? É isso que Bradbury faz, talvez de forma acidental. O foco do livro está em contar uma série de histórias entrecortadas, por ordem cronológica, da vida no planeta Vermelho. Essas histórias são bastante específicas, mas no seu total dão uma visão geral e abrangente da realidade. O facto da tecnologia ter sempre um papel secundário em relação às personagens e ao seu desenvolvimento é mais uma mostra da transversalidade do autor, dono de tantos rótulos que se torna o seu próprio rótulo.

Veredicto (de Rui Bastos): Ler Bradbury é sempre uma delícia. O homem não só era um mestre da escrita, como era capaz de atacar a Literatura de qualquer direcção que lhe desse na gana. Para um escritor amador como eu, até mete raiva. Cada livro que leio deste autor é completamente diferente do anterior, mas igualmente bem escrito e cativante.

Um dom como poucos têm. Aliás, é bem possível que Ray Bradbury seja precisamente o escritor mais transversal que conheço.

Essa característica até consegue ser visível neste livro, pois cada pedaço de história, cada crónica segue as suas próprias regras e conta as coisas de uma determinada maneira. As únicas coisas em comum são o planeta Marte e a capacidade que o narrador tem de “se tornar parte da paisagem”. A sua influência é tão subtil, assim como a voz do autor, que as histórias não parecem histórias, nem parecem estar a ser contadas por alguém. É como se tivessem vida própria e se contassem a si próprias.

Isto num livro que sofre de uma tradução mediana, como acontece com muitos dos livros de Bradbury traduzidos para português. Ainda assim, é possível ficar deslumbrado com a capacidade que o autor tem de dizer e contar o que quer, sem que nós demos por ela.

Sim, é que o truque está exactamente aí. Cada história, só por si, tema algum valor, mas não tanto quanto isso. Só quando tomadas no seu conjunto, e com o passar das leituras, é que é possível que nós, leitores, nos consigamos aperceber de qual é a verdadeira história que está a ser contada: o declínio da Humanidade.

A raça humana começa por estar no pináculo da sua evolução: não só envia sucessivas missões tripuladas a Marte, como eventualmente consegue colonizá-la. Rapidamente nos apercebemos de que esta colonização está a acontecer para que seja possível fugir da Terra. E quando o processo colonial começa em força, sabem o que acontece? Genocídio, apropriação cultural, xenofobia, retrocesso social e tecnológico e, na Terra, uma guerra nuclear.

Bradbury faz isso tão bem que faz impressão. Às vezes gosto mais dos seus livros e contos, outras vezes menos, mas nunca deixa de me surpreender e de me deixar com vontade de voltar a pegar na sua obra!

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