Pensa o Bófia de que: escrever… (Rui Bastos)

… já não é o que era.

A sério. Não só para mim, mas de uma forma geral. Custa-me ver que qualquer macaco junta meia dúzia de frases e publica um livro. Sim, sim, viva a democratização da escrita, que já não está restrita a um círculo minúsculo de pessoas de elite, sou completamente a favor. Mas…

O problema é pior do que isso. A sério que não me aborrece que qualquer pessoa escreva e consiga ter sucesso. Até encorajo. Mas aborrece-me que existam escritores (ou “escritores”?) que tratam mal os leitores, que claramente fazem da escrita um mero negócio, que vendem mentiras, que apenas coordenam uma equipa de escritores, ou que, na sua tremenda falta de humildade, consigam rebaixar todos os outros escritores.

É que esses casos existem. Andam por aí, bem vivos. E conseguem, com tremenda facilidade, atrair e liderar uma atenção acéfala por parte de um público que simplesmente não encontra melhor, mas que também parece não se esforçar por isso.

Que raios, devo estar a soar arrogante e elitista. Não se preocupem, eu próprio digo com frequência que sou o primeiro, e já não é a primeira vez que me chamam o segundo. Talvez seja ambos, um deles, ou até nenhum.

Mas depois disso tudo, sou um “escritor” (tremendamente) amador. Escrevo e escrevo e escrevo, partilho, corrijo, edito, reescrevo, elimino, guardo num canto recôndito, escrevo mais um bocado e tento publicar. Dá trabalho e é parcamente recompensado. E depois lá aparecem algumas pessoas, que entre escritas completamente genéricas, repetitivas e vazias de conteúdo, ou completamente excessivas, têm de tudo e ainda conseguem chegar a pelo menos algum sucesso. E se for preciso ainda tratam mal os colegas escritores ou os próprios leitores.

Como é que isso é possível? Onde é que está o verdadeiro gosto por esta arte? O respeito por quem a pratica? E por quem a admira? Para quê escrever?

Não é só por estes problemas que estou praticamente incapaz de escrever, mas ajuda imenso, isso vos garanto.

Pelo menos sei que estou provavelmente bastante errado em sequer pensar nestas coisas, quanto mais chatear-me por causa delas e vir aqui escrever sobre elas. Mas querem saber uma coisa? Isto chateia-me mesmo. Faz de mim um elitista de merda, com a mania? Não sei. Mas o que quer que achem que eu sou, imaginem uma versão chateada. Será muito mais próxima da realidade.

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