Pensa o Bófia de que: o que se torna massificado e massivo… (Elsa Leal)

…pode resultar em maçador.

normal-is-boring

Na minha mente, os pensamentos são como pequenas frames vertiginosas e, de algo que vi durante cinco minutos, saiu uma crónica cujo início teve origem quando, ao passar os olhos pela TV, vi que repetiam pela centésima vez um dos filmes da saga Crepúsculo.

Lembro-me que, na altura em que isto saiu, eu era uma leitora menos selectiva, e de ter partilhado (um pouco menos efusivamente do que outras pessoas que conheço, é certo) do entusiasmo colectivo ao ler os três livros da saga.

Hoje, depois de muito ter evoluído nos meus gostos literários (e não só), dou por mim a passar os olhos pela TV com um “olhar técnico”, dissecando cada ponto e cada vírgula do que é dito, perguntando-me como raio é que eu me deixei entusiasmar por aquilo na altura?!!!

O.K., confesso que nunca mais olhei para um texto de forma descontraída e lúdica como antes de ter entrado para esta oficina de escrita, mas ainda assim ponho-me a ponderar se os leitores, na maior parte das vezes não acabam por ser altamente influênciados nas suas escolhas, por aquilo que lhes é colocado à frente dos olhos?

Tal como numa loja de roupa, também a literatura e o cinema seguem tendências e influenciam-se mutuamente. Mas, por detrás do que nos aparece à frente dos olhos, há uma grande máquina que trabalha para trazer até ao consumidor aquilo que sabe que lhe vai conseguir vender.

Ao longo dos anos temos tido imensas trends e, tal como a moda, são cíclicas. Temos tido vampiros, invasões marcianas, apocalipses evitados no último segundo, lobisomens, vampiros contra lobisomens, extraterrestres e predadores, remakesaaaffff!

E não aplico isto só ao Fantástico, entenda-se! Também temos os policiais vertiginosos, aqueles em que a perspectiva do narrador muda a cada capítulo, e que fizeram um verdadeiro furor. A fórmula ainda vende, mas agora temos preferência pelos policiais de autores nórdicos. Temos os livros de auto-ajuda a saltarem para os tops de vendas nacionais, a par daqueles que prometem dietas milagrosas e estilos de vida saudáveis, a venderem melhor do que pãezinhos quentes!.

No seguimento do artigo do Rui Bastos, em que ele fala sobre a diferença entre um escritor que respeita o seu público, investindo o seu tempo (e por vezes não só!) naquilo que faz, e aqueles que alcançam estrondosos sucessos graças a uma equipa de trabalho (cujo nome nunca aparecerá na capa do livro) e a enormes máquinas de marketing, não é de admirar que esta massificação exista. E que o consumidor compre.

Não sou a melhor pessoa para avaliar os critérios das editoras, porém acredito que, tal como qualquer empresa, o objectivo seja gerar lucro através das vendas. Para isso há que estabelecer objectivos e critérios. Até aí, óptimo. Nada contra.

Como consumidora aceito isso, como autora acho óptimo a perspectiva de vender milhares – que se lixe, é grátis sonhar -, milhões de livros e ganhar dinheiro com isso!

O que não consigo entender é que as nossas editoras nacionais resistam a investir em novas vozes nacionais, quiçá com qualidade suficiente para se tornarem sucessos internacionais, e depois apareçam por aí obras editadas com uma qualidade de fazer chorar as pedras da calçada?!

Dos autores que conheço (a maior parte escritores amadores como eu) muitas vezes apercebo-me que se saturam de tentar publicar em Portugal (ou em português de Portugal) e decidem tentar a sorte além-fronteiras.

Muitas vezes pergunto-me até quando os poucos de nós, que resistem a fazê-lo, o farão?

Ou, se nos propusessem “vender a alma”e fazer algo vendável e bem remunerado, o faríamos em nome de vermos o nosso nome catapultado para a fama, mesmo que isso significasse vendermos a alma ao diabo?

E se não o fizessemos, seriamos nós resistentes por amor à causa ou apenas parvos?

É sobre isto que hoje vos deixo a pensar.

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