Acesso Reservado: ESQUELETOS NO ARMÁRIO PARTEM-SE COMO TELHADOS DE VIDRO, de Elsa Leal

Título: Esqueletos no armário partem-se como telhados de vidro
Autora:
Elsa Leal

Nota da autora: Escrito ainda na oficina da Trëma, é um dos meus contos mais curtos até hoje, mas que ainda assim excedeu os limites impostos pelo desafio do mês, ou não fosse eu quem sou… 🙂

Curioso é verificar que, já então, pareciam pairar no meu subconsciente alguns dos elementos de um Portugal alternativo ao da realidade que conhecemos e que estou a desenvolver (ou, pelo menos com boas intenções de o fazer o mais rapidamente possível).
O que começou por ser uma tentativa de escrever algo curto, foi terminado na altura com a sensação de que, possivelmente, acabaria a fazer parte de algo maior. Hoje sei que não estava enganada, já que funcionará (depois de terminada a revisão) como uma side story, à trilogia de contos que tenho em mãos.

Excerto: 

«Madalena pensou como raio se tinha metido nisto. Uma coisa era ajudar o tio a arrumar as coisas da defunta esposa, outra coisa era dar por si metida numa embrulhada por causa disso.

Bem, se fosse honesta, não era por causa disso. A parte em que encaixotava roupas e velhas bugigangas era inofensiva e não tinha sido isso que a tinha deixado em apuros. O pior é que não tinha resistido à curiosidade de tentar perceber aonde é que aquela chave a ia levar. Sim, porque não era uma chave como as da casa do tio. Na realidade nem sequer era uma chave, não no verdadeiro sentido do que vê e sabe de imediato que é uma chave. Era antes uma peça estilizada, em forma de garra com três unhas saídas, que terminavam como as pontas das chaves. E estava guardada numa caixa em madrepérola toda trabalhada. Que estava escondida no fundo da gaveta aonde a tia guardava as cuecas.

Olhou à volta e tentou perceber como raio ia sair dali. Sendo que ali era uma casa de campo no meio do que lhe pareceu uma plantação de café a perder de vista. A decoração do espaço contrastava com a austeridade espartana da casa dos tios. Ali tudo tinha cor e emanava conforto. Mas o que a deixava mais intrigada era o facto de o espaço ter dezenas de fotos espalhadas pelas paredes. Fotos onde a sua defunta tia aparecia em situações onde era impossível ter participado, já que tinha levado uma vida santa como dona-de-casa durante os mais de vinte anos em que nunca saiu de Portugal.»

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