Pensa o Bófia de que: é bom estar no Facebook… (Joel G. Gomes)

… e no Twitter. No Pinterest. No Instagram. No Linkedin. No tumblr. Até mesmo no Google+. É bom estar em todas estas plataformas (e tantas outras) – numas mais que outras – e usá-las para divulgar os meus projectos. Mas até que ponto é bom (ou mesmo útil) tanta omnipresença?

É bem verdade que são muitos os leitores que passeiam por estes caminhos, partilhando gostos, leituras, desabafos e recebendo sugestões, recomendações, etc. Nada mais natural, portanto, que, como escritor, eu procure usar essas informações a meu favor. Só que não é fácil. Há uma linha fina que separa o autor dinamizador do chato e eu temo ter ultrapassado essa linha bem mais do que uma vez. Nunca o fiz de propósito, claro, mas isso não muda o facto de o ter feito.

Como compensar esses deslizes? Primeiro que tudo, é preciso ter consciência de que foram cometidos. Depois, é tentar não voltar a fazer o mesmo. Os leitores perdidos talvez não voltem, por isso já é muito bom se não se perder mais.

Desde que comecei a publicar tenho usado as redes sociais (Facebook sobretudo), assim como blogs e outros recursos (dentro e fora da net) como meios de divulgação. Aquando da publicação do meu primeiro romance (Um Cappuccino Vermelho), partilhei posts e críticas e comentários e publicidade vária a toda a hora; com o segundo (A Imagem), abrandei um bocado. O resultado: embora o segundo tenha tido melhores críticas  que o primeiro, a verdade é que teve menos. E isto talvez se explique pelo facto das partilhas, boas ou más, gerarem mais partilhas. Por outro lado, foi o tempo a menos que gastei na divulgação que me permitiu trabalhar mais na história.

– tempo → + divulgação → + partilhas

+ tempo → – divulgação → – partilhas

Gosto de pensar que uma história boa será sempre mais partilhada do que uma história má. Será? Leio tantos artigos negativos sobre este e aquele escritor, sobre o quão mal eles escrevem, como não merecem os milhares de leitores que têm, leio comentários sobre os artigos, opiniões sobre os comentários e penso que as más histórias poderão não resistir ao teste do tempo, mas as redes sociais e quem por lá anda (eu incluído) dão o seu contributo para as manter na berlinda.

Tanta coisa para chegar a isto: devo escrever mal para ser reconhecido? Olhando para alguns casos – e apesar dos comentários – às vezes temo que sim. Tal como sucede em qualquer outro negócio (sim, é) tentar viver da escrita implica seguir algumas regras básicas,  sendo uma das mais importantes (pelo menos para mim) saber o que o público procura. Há escritores que interpretam isto no sentido de trabalhar em função do que a maioria procura. É uma perspectiva meramente comercial e, no meu ver, só resulta com grandes campanhas publicitárias por trás. Eu prefiro usar esta regra para saber a quem apresentar o que escrevo. Por outras palavras, seleccionar o público em função do que se escreve e não escrever em função do público.

Padrões e análises à parte, continuo a achar que mais vale escrever bem e não ser reconhecido pelas massas, do que produzir histórias vazias, a martelo, e ser um fenómeno de popularidade. Talvez a segunda opção seja mais rentável, mas a primeira é a que me sabe melhor.

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