O Chui leu: OS VAMPIROS, de Filipe Melo e Juan Cavia

os-vampirosTítulo: Os Vampiros
Autor(es): Filipe Melo (Argumento) e Juan Cavia (Arte)
Publicado por: Tinta da China
Ano da edição: 2016
Páginas: 228

Sinopse: Guiné, Dezembro de 1972. Em plena guerra colonial, um grupo de soldados portugueses é destacado para uma operação secreta no Senegal. Porém, à medida que vão sendo consumidos pela paranóia e pelo cansaço, esta missão aparentemente simples vai transformar-se num verdadeiro pesadelo. Embrenhados na selva, estes homens terão de contar com sucessivos demónios – os da guerra e os que trouxeram consigo.

Veredicto (de Joel G. Gomes): Já fui a restaurantes onde a confecção de certos pratos implica uma marcação prévia, não só porque alguns dos ingredientes têm um prazo de preservação curto (o que obriga a um consumo rápido), mas também porque a sua confecção é um processo demorado. Quando falei com os autores, o Filipe Melo disse-me que andava a escrever o guião deste álbum desde 2008 e isso explica bem a qualidade da escrita. É um livro amadurecido, trabalhado com paciência e uma atenção ao detalhe que merece distinção.vampiros_2

Antes de iniciar a minha leitura ouvi vários leitores tecerem comparações com clássicos filmes de guerra, como Apocalypse NowPlatoon ou The Thin Red Line (este último, creio que foi o próprio Filipe Melo que referiu). Apesar de haver alguns pontos de comparação, eu diria que Os Vampiros é um livro que merece um estatuto próprio, mais que não seja porque retrata uma realidade nossa. É um livro que aborda um tema complicado – os mais velhos não gostam de falar sobre ele; os mais novos não se interessam – e utiliza-o de forma hábil para conferir a solidez narrativa necessária à história. Mais do que uma história a ser comparada com outras já existentes, é uma história que estabelece um paradigma de comparação com histórias vindouras.

No entanto, é na caracterização dos personagens que este trabalho revela o seu grande trunfo. Seja pelos traços de personalidade presentes nos diálogos e nos comportamentos; seja pelo desenho de Juan Cavia que consegue o prodígio de tornar cada rosto distinto, ao mesmo tempo que parecem todos partilhar de uma fisionomia comum. É uma óptima forma de ilustrar um combate, por vezes mais violento, entre o comportamento de grupo e o pensamento individual.

A guerra é conhecida por revelar o melhor e o pior do ser humano e este trabalho é também bastante revelador do melhor dos autores. O pior que encontrei obriga-me a regressar à analogia da restauração. Ler Os Vampiros é como comer uma refeição gourmet: é um produto que demora a ser confeccionado, mas que é consumido em menos de nada. E tal como em muitos desses pratos, ficamos sempre com vontade de comer, perdão, ler mais.

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