Pensa o Bófia de que… (Júlia Pinheiro)

…as pessoas dão muito pouco valor aos livros de Ficção Científica antigos.

Sem ser os típicos clássicos, dos quais também sou muito fã, mas aqueles outros, que se encontram em antologias perdidas, em livros de bolso, em edições simples mas com ar grandioso e colorido. Dou por mim a ficar super contente em feiras do livro aleatórias que geralmente os têm, num canto escondido, como livros que eles próprios sabem que ninguém vai comprar. Isso até é bom para mim: ficam mais baratos e pouca gente lhes pega. Adoro encontrar aqueles mini livros que havia nas estações para as pessoas lerem durante a viagem – eu não sou desse tempo, mas herdei uns poucos e sempre quis que essa tradição voltasse.

Acho que o que me fascina é a inocência com que as coisas foram escritas. A simplicidade que as coisas tinham e que me fazem sonhar. Desde que haja coerência e consistência no que nos é contado não há problema nenhum. É para virem os marcianos ter connosco? Ok, faz-se e têm tradutores automáticos para comunicarmos com facilidade. É para irmos para fora do Sistema Solar porque o Sol vai explodir? Tranquilo, cria-se uma nave gigante e vamos todos (ou quase todos, num plot twist super inesperado) embora daqui. Talvez seja uma visão infantil da coisa, é bem capaz, mas sabe bem. Esquecer um pouco daquilo que sabemos, ou não, agarrar naquilo que nos apresentam e ler em cima de uma folha branca, deixar entusiasmar pela história.

Tenho uns poucos desses livros, meio marginais, alguns que nem sequer chegam às listas do Goodreads e cujos nomes não ficaram na história dos grandes escritores. Se calhar nem nas dos escritores. E ainda assim, na sua simplicidade e pequenez conseguem fazer-me viajar como muitos dos “grandes autores” não conseguem, talvez por terem tanto trabalho em cima da história que deixam de ser simples, que metem muito mais do que um cenário e uma história, e uma pessoa já não pode pura e simplesmente desligar o cérebro e deixar-se levar. Às vezes para sairmos da rotina não é preciso tanto: é só precisa uma coisa pequena, um entretém de vista e cérebro. E sabe bem!

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