O Chui leu: THE MAYAN SECRETS, de Clive Cussler e Thomas Perry

9780718177232Título: The Mayan Secrets
Autor: Clive Cussler e Thomas Perry
Série: Fargo Adventures, #5
Publicado por: Penguin
Ano da edição: 2013
Páginas: 406

Sinopse: Husband-and-wife team Sam and Remi Fargo are in Mexico, when they come upon a remarkable discovery—the skeleton of a man clutching an ancient sealed pot, and within the pot, a Mayan book, larger than anyone has ever seen. The book contains astonishing information about the Mayans, about their cities, and about mankind itself. The secrets are so powerful that some people would do anything to possess them—as the Fargos are about to find out.

Before their adventure is done, many men and women will die for that book—and Sam and Remi may just be among them.

Veredicto (de Joel G. Gomes): Clive Cussler era um daqueles autores em que o excesso de presença deixava-me apreensivo quanto à qualidade das suas histórias. É verdade que o mesmo tipo de crítica pode ser apontado a qualquer autor demasiado prolífico, por isso o melhor mesmo é ler um livro ou dois para tirar as dúvidas. Escolhi três ao acaso, a saber The StormCrescent Dawn The Mayan Secrets (cada um pertencente a uma diferente série), fiz um-do-li-tá e calhou este. Qualquer um dos três apresentava uma sinopse interessante, por isso o método de selecção tinha de ser mesmo este, caso contrário não me decidia.

A história começa no México, naquela altura em que, depois de os terem chacinado aos milhares, os espanhóis tentam ensinar aos Maias os ensinamentos de Cristo sobre o amor e a paz entre os homens. Nesta primeira parte conhecemos um padre, que apesar de pregar a palavra junto do povo Maia, é alguém que reconhece o valor do seu espólio cultural e religioso e faz tudo para o preservar, incluindo arriscar a sua própria vida. A certa altura, os seus conterrâneos descobrem o que ele anda a fazer e resolvem limpar-lhe o sebo. Na iminência de ver o conhecimento de milénios prestes a ser consumido pelas chamas, o padre confia o mais importante de todos os códices para que seja escondido num lugar seguro.

Saltamos então para os dias de hoje, onde somos apresentados aos protagonistas da história, um casal de jovens aventureiros, caçadores de tesouros. Sam e Remi têm dinheiro com fartura e podiam muito bem passar os dias sem fazer nenhum. Em vez disso, viajam pelo mundo em busca de artefactos históricos, não para vendê-los no mercado negro, mas para garantir que esse espólio seja partilhado por toda a humanidade. Numa dessas viagens, Sam e Remi encontram um códice Maia (o tal que o padre mandara guardar) e resolvem entregá-lo às autoridades mexicanas. Infelizmente, há alguém que revela a descoberta à imprensa e eis que entra em cena a vilã da história, uma aristocrata rica, de família antiga, habituada a ter tudo o que quer, sem nenhum interesse pelo património, excepto pelo dinheiro que este lhe possa render.

Apresentados os participantes, começa então o jogo, o clássico jogo do gato e do rato onde uns tentam preservar o legado de um povo e outros tentam explorá-lo ainda mais. Pelo meio, há acção com fartura, e alguns momentos de tensão. Infelizmente, essa tensão nunca é cem por cento convincente (nem sequer cinquenta por cento), já que o alvo desses momentos é sempre o casal protagonista e percebemos logo que nenhum mal (permanente) lhes acontecerá. Sofrerão mazelas, um tiro ou outro, mas no final safar-se-ão sempre. Isso estraga um pouco a eficácia desses momentos, uma vez que o resultado é conhecido à partida, mas não deixa de ser bom entretenimento.

Outro ponto menos bom (ou desnecessário) foi a atenção que o autor dava às indumentárias e adereços usados por alguns personagens. Em alguns casos essa descrição ajudava a complementar a caracterização da personagem em questão, noutros parecia que tinha entregue a escrita a um estilista de moda. Convém relembrar que este livro é assinado por dois autores (aliás, é raro o livro de Cussler que não é escrito a quatro mãos), o que compromete um pouco a minha intenção de querer conhecer a obra deste (Clive Cussler) autor. Apesar disso, foi uma boa introdução a um universo literário composto por cerca de 70 obras. Lerei mais, sem dúvida, sobretudo depois de ter lido algumas curiosidades sobre o autor – não digam a ninguém, mas parece que ele gosta de se inserir a ele próprio nos seus romances. Sendo o autor um arqueólogo marinho amador, como alguns dos seus persoangens, não é de estranhar muito.

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Uma última nota: numa notícia que li há dias foi confirmada a autenticidade de um códice Maia (o códice Grolier), descoberto há cinquenta anos. As circunstâncias da descoberta deste artefacto replicam em grande medida a cena da descoberta do códice do livro. Nesta história, a autenticidade do artefacto é verificada em meia dúzia de páginas; no mundo real, esse processo demora um pouco mais. Agora é esperar que esse conhecimento, comprovada a sua origem, não caia no esquecimento.

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