Vistoria Policial: O DEUS DA CARNIFICINA, de Yasmina Reza e Roman Polanski

mv5bmtc4mjaymduwnl5bml5banbnxkftztcwotqwmdmwnw-_v1_sy1000_cr006741000_al_TítuloO Deus da Carnificina
Ano: 2011
Escrito por: Yasmina Reza
Realizado por: Roman Polanski
Com: Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz and John C. Reilly
Duração: 1h20m

Sinopse: Precipitados por um confronto mais violento do que o habitual entre duas crianças, os respectivos pais encontram-se para tentarem resolver o assunto, mas o que se desenrola não é uma conversa normal…

Veredicto (de Rui): Lembro-me vagamente de ouvir falar deste filme, ao longo dos últimos anos. Saiu em 2011, portanto já houve tempo para circular e para o realizador, Polanski, ver ressurgir algumas polémicas desagradáveis sobre violação de uma menor. Enfim.

Falando sobre o filme, não sabia o que esperar. O título e as imagens que eu conhecia não batiam certo. Se o objectivo era confundir as expectativas para chamar a atenção, sucesso! Mas a presença dos quatro actores principais (principalmente John C. Reilly e Christoph Waltz, confesso) já seria chamativa o suficiente só por si. São os quatro excelentes e estiveram excepcionais neste filme!

Mas afinal o que se passa neste filme? Em termos muito simples, imaginem que a fina camada de boa educação que as pessoas mantém muito bem polida, começava a estalar. A história em si? Um miúdo bateu noutro miúdo com um pai, deixou-o todo negro, cheio de dores e com dois dentes partidos. Os pais dos miúdos encontram-se na casa da vítima para resolverem a situação, só que as atitudes passivo-agressivas degeneram muito rapidamente e tarde descamba de formas inimagináveis.

Há elementos de comédia, alguns de drama, mas o filme vê-se como uma enorme experiência. É que para além de se passar em tempo real, nenhuma das quatro personagens chega a sair da casa. A grande maioria da acção decorre na sala de estar e resume-se, basicamente, a uma conversa.

O que se torna verdadeiramente fascinante é ver como tudo está filmado de forma engenhosa para dar uma sensação de continuidade e, de certa forma, de diversidade, sem precisar de mudar constantemente de cenário e sem fazer saltos temporais. É também de louvável a forma natural como as coisas evoluem. E há sempre uma sensação de desconforto quando duas personagens interagem, uma sensação muito complicada de explicar, como se houvesse sempre mais qualquer coisa de cada vez, como se todas as personagens soubessem, assim como nós sabemos, que toda a simpatia e boa-educação são falsas.

Esta sensação de desconforto ultrapassa o ecrã, e torna-se verdadeiramente complicado ver algumas das cenas sem fazer aqueles barulhinhos de “isto vai dar asneira”.

Só fiquei com pena que a violência latente, as alianças curiosamente formadas, os entendimentos que foram surgindo, ou desaparecendo, e tudo o resto, termine de forma abrupta e sem um final definitivo como deve ser. Também não sei bem que raio de final é que isto podia ter, mas tudo menos a treta artística e sem nexo a que teve direito. Em vez de se tornar um excelente filme de exploração da condição humana, tornou-se num conto moralista demasiado óbvio. E se há coisa que me agrada menos do que contos moralistas, é que algo seja demasiado óbvio.

É um bom filme, no entanto, pelo menos durante a primeira 1h19 da 1h20 total.

2 thoughts on “Vistoria Policial: O DEUS DA CARNIFICINA, de Yasmina Reza e Roman Polanski

  1. Se reparares bem, o filme só termina verdadeiramente nos créditos finais, quando vemos as duas crianças a brincar no recreio – contrastando a reconciliação natural delas e a simplicidade da vida infantil com o escalar da agressividade dos pais e a malha de complicações que é a vida adulta. Para os dois casais o caso efectivamente terminou ali; aquele episódio será sempre uma barreira intransponível não só entre os casais, mas até entre os dois elementos de cada casal. Já para os miúdos, o episódio ficou esquecido no longo Verão que é a infância – ou, pelo menos, perdoado.

    Já agora, o filme adapta uma peça de teatro, o que ajuda a explicar o espaço confinado. O Polanski soube filmá-lo mesmo muito bem.

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    1. Isso é verdade, mas foi essa cena que reforçou o moralismo da história. Tinha preferido algo mais subtil, e uma transição menos abrupta.

      Essa do teatro não sabia, e de facto explica um bocado a coisa. Mas ainda fico mais impressionado com a forma como o filme está feito! Impecável sim senhor.

      Rui

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