Pensa o Bófia de que… (Elsa Leal)

… Podemos aproveitar a literatura para aprender.
Sim, eu sei que os miúdos carregam às costas quilos e quilos de livros. E não, quando digo que podemos aproveitar para aprender enquanto lemos, não me estou a referir aos manuais escolares.

Todos os dias assisto aos miúdos com ar de enfado quando se fala em estudar e “empinar” a matéria. Não, não sou professora, mas sou mãe de duas crianças, cada uma numa fase escolar diferente e cada uma com uma visão diferente sobre a escola.

Numa era onde os olhos se viram para o mundo virtual a toda a hora, ler um livro quase se tornou obsoleto. Então, para quê usar um manual escolar, quando o tablet até está mesmo ali ao lado e a internet é um poço de informação gratuita e acessível?

É simples. A informação que está nos manuais, muitas vezes, está resumida e terá sido escrita de forma simples e concisa. Ah, já agora, correcta (muitas vezes há que duvidar de alguma informação que se encontra em alguns sites que se consultam). Mas adiante, porque o tema do artigo nem é bem sobre isto.

Eu sou daquelas que sempre gostou de ler. Há sempre um calhamaço ao pé de mim, mais que não seja para segurar carinhosamente nas mãos, enquanto a cabeça tomba e os olhos se fecham, sem sequer o conseguir abrir, como se fosse o ursinho de pelúcia de uma criança.

Ao longo de toda a minha vida académica, recordo-me que existiam obras de leitura obrigatória, os quais consistiam (e consistem) o pesadelo de muita população estudantil. Existiram, porém, sugestões dadas pelos professores, que me fizeram compreender o funcionamento de sociedades, as tradições culturais de algumas civilizações, usos e costumes, visualizar o uso de instrumentos, perceber hábitos já perdidos…e existem pormenores que persistem na memória até aos dias de hoje. Sim, já passou algum tempo desde então…podemos passar à frente?

Para mim sempre foi mais estimulante ler que o personagem X fazia isto assim daquela maneira, visualizá-lo mentalmente a empunhar uma espada com a qual quase não podia, as suas rotinas diárias de se esconder atrás do arbusto para fazer xixi ou não usar talheres para comer, não existirem os alimentos que nos chegam à mesa todos os dias, etc, do que ler a mesma informação em formato académico.

Por esta razão, existem livros na minha memória, que me marcaram e que, por mais anos que passem, serão sempre dos meus favoritos. E são estes pequenos tesouros que quero aqui partilhar convosco.

Passemos então a dar alguns exemplos (não só que  eu tenha lido, mas são os de que me lembro assim imediatamente, já que,  seguramente, existirão muitos mais!):

A Voz dos Deuses e A Hora de Sertório, de João Aguiar – retratam ambos a época das invasões romanas na Península Ibérica.

Memorial do Convento, de José Saramago – com base na construção do Convento de Mafra e na promessa que o rei fez, caso concebesse um herdeiro.

O Último Cais, de Helena Marques – romance que será mais uma espécie de história de família, sob a visão feminina, mas que retrata a sociedade do Funchal  do século XIX.

Diário de um Mago, de Paulo Coelho – onde se poderá ler sobre um homem que percorre um dos Caminhos de Santiago.

Afonso, o Conquistador, de Maria Helena Ventura – sobre a vida de D. Afonso Henriques, conseguimos ter uma visão do homem por detrás do rei e do que se lê nos manuais escolares. Foi escrito em linguagem de época, o que não torna a sua leitura fácil, porém torna-a interessante. Da mesma autora tenho para ler o Onde vais, Isabel, sobre a vida da Rainha Santa.

Equador, de Miguel Sousa Tavares – embora não tendo ficado fã do livro, posso dizer que retrata na perfeição a vida colonial.

Os Maias, Eça de Queiroz –  sim, meninos, é importante ler isto. Sobretudo nas partes maçadoras, nas 35 páginas descritivas da mansão e afins, porque é nestes detalhes e nas entrelinhas que se percebe muita coisa. Não é no incesto, saltem essa parte.

Afirma Pereira, Antonio Tabucchi – retrato do período que abrange o salazarismo português, o fascismo italiano e a guerra civil espanhola. Há em filme, para quem preferir.

A Brisa do Oriente, de Paloma Sanchez-Garnica – são 2 volumes sobre a vida de um monge. Dito assim, não parece nada de jeito, certo? ERRADO! São 2 livros do mais interessante que já li nos últimos anos e onde podemos assistir aos excessos religiosos cometidos nas Cruzadas em pleno século XIII, em nome da religião e da Fé.

E pronto, agora ide a correr às livrarias e dai início ao périplo da demanda do Santo Graal – o cálice do conhecimento! Também li uns livros interessantes sobre isto, tenho inclusivamente uma relíquia das minhas leituras infantis sobre os Cavaleiros da Távola Redonda, mas ficam para outra crônica 😉

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