Acesso reservado: O ÚLTIMO – FREQUÊNCIA DO FUTURO, de Ricardo Neves

Título: O Último – Frequência do Futuro
Autor:
 Ricardo Neves (aka Joel G. Gomes)

Nota do autor: A convite de um dos elementos do grupo (adivinhem qual), aceitei dar o meu contributo para este espaço e submeter um excerto do meu trabalho, bem como algumas palavras sobre o mesmo. Para quem não conhece este projecto, O ÚLTIMO será uma série literária que decorrerá no mesmo universo literário de outros projectos de certas e determinadas pessoas deste grupo (reparem que usei o plural). O protagonista desta série é um tipo que anda a modos que desiludido com a vida. É verdade que não lhe faltam razões para isso (a namorada morreu, a mãe está internada, ele está em risco de perder o emprego, etc.), o problema é que há outras coisas a acontecer para que ele tenha tempo de se preocupar com isso. É um tipo com um passado conturbado, com muitos arrependimentos, mas é também alguém que não passa ao lado dos problemas. Marco não vira a cara ao sofrimento dos outros, e talvez seja por isso que não dá a devida atenção aos seus próprios dilemas. O excerto que vos apresento procura reflectir essa ideia. Espero que apreciem.

Excerto:

«Apesar da necessidade de impôr uma boa distância entre si e aqueles que o perseguiam, Marco Semedo esforçava-se por manter a velocidade do carro dentro dos limites. A polícia devia estar à procura de um carro branco, não um azul, e se ele não desse motivos para ser mandado parar, talvez conseguisse chegar onde precisava.

Considerou ligar o rádio para evitar pensar em tudo o que acontecera, mas receou ficar demasiado distraído. Estava numa longa recta, com o ocasional veículo a cruzar a faixa do lado. A solidão tornava difícil não pensar, mas tinha de ser – pelo menos enquanto estivesse a conduzir. Sabia que mais cedo ou mais tarde teria de parar e reflectir.

Não fizera nada de errado a não ser tentar ajudar alguém (e falhar), porém quem o perseguia tomara sérias medidas para o acusar de um crime horrendo. Não tendo como provar a sua inocência, a sua única opção era evitar ser apanhado até conseguir elaborar algum plano.

O seu mundo desintegrava-se um pouco mais a cada rotação e quando a luz branca surgiu, vinda do nada, Marco deixou-se abraçar por ela, desejando ser levado para o lugar onde a sua querida Rute esperava por ele.

A luz extinguiu-se e Marco constatou, com alguma amargura, que a única coisa que mudara era o facto de estar parado na berma da estrada – na faixa contrária. Não tinha ideia de ter uma inversão de marcha, no entanto, lá estava ele, com uma íngreme ribanceira a convidá-lo a olhar para as suas profundezas.

Marco aceitou o convite e a meio da inclinação, entre silvas e arbustos, viu um carro. A sua descida tinha sido interrompida por uma árvore. Lá de cima, não conseguia perceber se estava alguém dentro do veículo.

Lembrou-se do que acontecera da última vez que tentara ajudar alguém, considerou o tempo que tinha, que era cada vez menos, avaliou tudo, sabia que era um erro que lhe poderia custar caro, mas não podia ignorar a possibilidade de alguém estar em perigo. Apesar das actuais circunstâncias, a sua consciência não lhe permitia isso.»

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