Vistoria policial: MAKING A MURDERER, de Moira Demos e Laura Ricciardi

mv5bntc4nji4njyynl5bml5banbnxkftztgwnzk1ntcznze-_v1_Título: Making a murderer
Ano: 2015
Uma série documental produzida e realizada por: Moira Demos, Laura Ricciardi
Com: Dolores Avery, Steven Avery, Ken Kratz, Brendan Dassey
Género: Documentário
Número de episódios: 10 (1 temporada)
Duração: 60 min. (aprox.)

Sinopse: Filmed over a 10-year period, Making a Murderer is an unprecedented real-life thriller about Steven Avery, a DNA exoneree who, while in the midst of exposing corruption in local law enforcement, finds himself the prime suspect in a grisly new crime. Set in America’s heartland, the series takes viewers inside a high-stakes criminal case where reputation is everything and things are never as they appear.

Veredicto (de Joel G. Gomes):Eis o que sabia quando comecei a ver esta série:
– era uma série documental, filmada ao longo de dez anos;
– tratava o caso de um homem (Steven Avery) preso 18 anos por um crime que não cometera;
– o homem é libertado após a descoberta de novas provas

E era só.

O título fazia-me pensar numa crítica ao sistema prisional nos Estados Unidos, onde entram inocentes (alguns) e saem assassinos; um comentário sobre a forma como a sociedade civil (não só lá, cá também), nega os reabilitados.

Infelizmente, quem fabrica este dito assassino não é a sociedade que o recebe de volta, mas as mesmas pessoas que quase 20 anos antes o tinham condenado.

Durante o processo que Steven Avery interpõe ao condado de Manitowoc, no Wisconsin, por, entre outras coisas, condenação injusta, manipulação de provas, diversas violações éticas e deontológicas, ocorre o desaparecimento de Theresa Holbach, uma repórter fotográfica que, azar o dele, tinha estado no seu ferro-velho para fotografar um veículo. Por outras palavras, Steven Avery teria sido a última pessoa a ver Theresa viva.

Steven Avery é preso, sem corpo, sem motivo, sem nada. Equipas de busca e salvamento começam a vasculhar a sua propriedade e a partir daí é a bandalheira total: chaves da vítima só com o ADN do suspeito descobertas miraculosamente ao fim de seis dias, o carro da vítima encontrado por duas voluntárias em menos de dez minutos de iniciarem as buscas (pormenor delicioso: ao lado está um esmagador e dezenas de carros esmagados); sangue do suspeito no interior do veículo, mas nada de impressões digitais; balas mágicas, que surgem passados vários meses, etc. Muitas destas provas são descobertas por polícias que, dada a existência de um processo contra o condado, não deviam ter qualquer contacto com a investigação, mas tinham e eram eles que encontravam sempre aquilo que os outros não viam.

Confissões forçadas, provas violadas, contradições óbvias (a certa altura, o suposto cúmplice do crime, Brendan Dassey, sobrinho de Steven Avery, diz que a vítima estava amarrada na cama, foi violada pelos dois, esfaqueada 11 vezes e morta com um tiro na cabeça. Sangue e ADN no local? Zero. Mas zero foi quanto bastou.

É perturbante a manipulação da Acusação (quase tanto como o desdém que demonstra perante os seus actos), mas é admirável a paciência e determinação do acusado. No final, um dos advogados desabafa que gostaria que Steven Avery fosse culpado. Para ele, seria mais fácil aceitar isso, aceitar que falhara ao defender um assassino, do que ver um inocente condenado tanto tempo. Recentemente, um juiz revogou a confissão de Brendan Dassey, a qual fora usada pela Acusação para condenar tio e sobrinho. Daqui por algum tempo, veremos se Brendan Dassey sai em liberdade ou se irá a novo julgamento. Já o seu tio continua a lutar pela sua liberdade num país que tanto a apregoa.

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